Saturday, February 19, 2005


Losses and Gaps. Red alert... Entre fotos e remédios.

Episode six: Losses and Gaps.

As lacunas são umas das maiores angústias da vida. Esquecer-se do tempo, não se lembrar de uma pessoa ou momento... triste. Mas uma coisa que já percebi, é que o ser humano é dotado de uma imensa falha emocional: só é capaz de perceber aquilo que tem depois que o perde.

Seria pelo simples acômodo? Creio que sim. É fácil deixar passar aquilo que vai bem; engraçado. Preferimos notar aquilo que nos machuca, que nos incomoda; dar maior importância aos problemas do que as soluções.

Esse é o maior problema das pessoas indiferentes. Muitas vezes elas não notam como é bom ter o conforto que as cercam, passam o dia criticando a comida que comem, a cama em que dormem. Vamos ainda mais longe: É a má criação de um filho. Não ouvir seus comentários, não notar seus sorrisos, não compartilhar seus êxitos, não consolar seus problemas, não desfrutar de suas maiores bobagens. O dia em que ele estiver em falta... não será ele o perdido.

O pior lugar para se estar é aquele que sente a falta do faltoso (got it? Rsss). Que se pode fazer para que o outro perceba a sua própria ausência? Sumir? É o troco na mesma moeda. Vingança? Maybe. Mas de que vale essa estratégia se ela acaba sempre lhe conferindo o papel de carente e depressivo (e retornamos ao problema de esperar algo do outro)? Ou seja, além de não ser notado, ainda é tachado como inútil. O zero ao esquerdo lado do zero a esquerda. I imagine what my body would sound like slamming against those rocks.

Portanto, para evitar que isso aconteça com alguém próximo, acredito que não se deve esperar a falta, a dor, ou a necessidade para notar e agradecer a alguém por existir. Afinal, se demorar muito... pode ser que essa pessoa não esteja mais lá.
(Factóide: Ainda nas perdas... alguém já reparou como todo morto vira santo?)

Saturday, February 12, 2005


Star people. Careful what you wish for...

Episode five: Star people: How much is enough?

É engraçado como hoje em dia as pessoas estão cada vez mais fascinadas por mudanças estéticas. E não importa que tipo seja, contanto que as tire do problema a ser encarado.

Com os avanços da medicina, já se é possível nascer Didi Mocó e se transformar em Victor Fasano. Porque as pessoas estão tão insatisfeitas com aquilo que vêem no espelho? Antes de mais nada, um problema psicológico. Blame it on the midia.

Mas o que faz com que uma pessoa injete substâncias desconhecidas em seu próprio corpo? Não chegamos a insanidade total? Fios, cortes, mutilações. Corrija seus defeitos, seja perfeito. Transforme-se em outra pessoa, mas seja melhor. Alcance o ideal. Regular is for suckers. Mais fácil pagar 3000 reais em um extreme makeover para se obter um resultado imediato do que 300 reais por mês por anos de terapia... não é? Longo prazo? No thank you, I think I’ll pass.

Digamos que foi passado o limite da insanidade. Para se parecer com qualquer que seja a estrela do momento ou a moda do verão, cabelos são cortados, alongados, tingidos ou até mesmo escondidos por perucas. Além disso, um brinde aos quilos perdidos, pois tudo é válido: milk shakes, dietas malucas, dias na esteira, lipoaspiração, pílulas, drogas, aparelhos eletrônicos, massagens, agulhas. Viva a depressão, viva a anorexia. Alguém já havia ouvido falar em anorexia em 1840? Creio que não. Blame it on the technology.

Na minha opinião, as mulheres sofrem o dobro dos homens nessa maratona em busca da forma perfeita. As exigências são muito maiores em relação ao sexo feminino, a pressão é muito maior. Sem mencionar o bombardeio da mídia com fotos e matérias que insistem em revelar os segredos de como satisfazer um homem, como ficar linda para seu maridos ou para que seja possível eliminar 5 quilos em menos de um mês. What a nightmare. O quanto não é feito para ter pelo menos as unhas da Gisele Bündchen ou o cabelo da Adriane Galisteu... Não bastando, muitas das que conseguem alcançar o físico desejado ainda não conseguem encontrar a paz interna. São as que são mais atendidas por vagabundas, baratas ou oferecidas. Depois de chegarem ao seu objetivo e ficarem contentes com isso, sempre são alvo de inveja alheia. A não ser por aquelas que merecem ser chamadas dessa forma, as adeptas a chamada “super exposição” : quanto menos roupa, melhor. Mas, sinceramente? Não acredito que seja isso realmente que essas mulheres que apelam para a vulgaridade queiram. É apenas uma forma mais fácil de se chamar atenção. Afinal, we all just wanna be loved, be adored, be accepted. O problema está mais embaixo. Ou melhor, mais interno.

To sum up, na atualidade, vaidade virou sinônimo de necessidade. Tudo se baseia na aparência; chegamos ao máximo da superficialidade. Imagem é tudo (vai ver é porisso que a Sprite não emplaca tanto); e prepare-se para ser cruelmente julgado. Não importa a bagagem que você carregue, sua história, seus pensamentos, seus gostos e desgostos, suas paixões; você não passa de mais um produto no mercado. Cabe a você decidir se prefere ser Coca-Cola ou Tubaína.

Thursday, February 10, 2005


Home alone. Casual lifestyle.

Episode four: Home alone

Alguém pode por favor me explicar o porque da mágica de se ficar sozinho em casa? É indescritível. Dormir a hora que quiser, comer a hora que quiser, fazer aquilo que bem entender... Freedom. Não que também não tenha seu lado ruim, afinal, nem tudo é cem por cento. O que pode ser dito sobre aquele silêncio sepulcral (by Pepa)? Quem nunca falou sozinho pelo menos por 4 segundos? Soltou no mínimo um “Ai ai...” pra si mesmo? É, literalmente, coisa de louco. Isso quando você não dispara a cantar músicas, ou até mesmo um cd inteiro. Pior: inventar diálogos com você mesmo (até podendo encarnar mais de um personagem) achando que está em um filme. Só não vale tentar escapar de um tiro lançado por um terrorista e pular pela janela.

Mesmo assim, estar sozinho é o paraíso. Você pode fazer tudo aquilo que não tem coragem de fazer na frente dos outros, liberar aqueles seus hábitos ou desejos ocultos. Alguns vão experimentar os sapatos de festa da mãe e desfilar na frente do espelho do closet, outros tiram melecas do nariz enquanto terceiros aproveitam pra devorar 7 pedaços de pizza em um jantar dizendo que foi o consumido em 2 dias. Shame on us.

Agora, o mais triste de tudo é o momento do retorno de quem mora com você. Somente o barulho das chaves virando são o suficiente pra sua depressão. Oh, no... Estava tudo tão maravilhoso, dias desfilando de pijama (ou até mesmo sem ele) ás cinco da tarde e agora isso... It’s heartbreaking. E haja mau humor depois.

Isso, logicamente, é valido pra quem divide apartamento com qualquer pessoa que não seja legal. Familiares, colegas chatos e indesejáveis etc. Mas isso não é muito válido pros solteiros, eu acho. Porque, na verdade, não sei como eles já não piraram. Viver sozinho muito tempo deve ser um pouco enlouquecedor. Alguém nunca se pegou em casa sozinho sem falar com ninguém há dois dias e, quando se vê na frente do espelho ao ir escovar os dentes ou algo do gênero, começa a ouvir sua voz dentro da sua cabeça falando consigo mesmo sobre qualquer assunto? Essa cena não lhes parece bizarra? Eu já me peguei numa cena dessas. É muito viajante porque parece um diálogo telepático ou, bizarramente, uma adivinhação. Isso se não fosse uma daquelas cenas muito ruins de novela onde a voz do personagem fica no ar enquanto ele faz caras ridículas.

De qualquer forma, enlouquecedor, solitário (tem dessas também) ou bizarro, estar em casa sozinho por alguns dias é uma experiência curiosa. Só não deixe de, no mínimo, fazer algumas ligações pra alguns amigos em nome de sua própria sanidade mental.

Trilha sonora: Joy Division, Kraftwerk.

Wednesday, February 09, 2005


A friendly growth. Someone to lean on.

Episode three: A friendly growth.

Alguém já parou pra pensar como algumas vezes as crianças se comportam muito mais como adultos do que eles mesmos? E como adultos se comportam muito mais como crianças do que elas mesmas? That’s funny.

Se você for parar pra pensar, as crianças são as pessoas mais francas que existem. Isso é muito adulto. É encarar a realidade e apontá-la tal como ela é. Não é fácil encontrar uma criança que meça as palavras, que seja muito comedida. Elas dizem aquilo que elas pensam mesmo, a primeira coisa que vem as suas cabeças. Os adultos, ao contrário, disfarçam aquilo que realmente pensam com mentiras, palavras e imagens mais bonitas ou, no mínimo, mais amenas. É a criação de uma fantasia, um mundo fictício, algo mais fácil de lidar e encarar. What a childish thing to do.

Mas na verdade, acho que uma das coisas mais estranhas e chatas que eu já notei, é o fato de como muitas pessoas esperam muito das pessoas a sua volta e nem sempre recebem aquilo que estavam esperando. Ser adulto não é fácil. Porque quando se é criança, se você está esperando um abraço da sua mãe, dificilmente você não irá recebê-lo. Mas se você já é bem crescidinho e espera por um abraço amigo... nem sempre você o tem de volta. E porque será? E se você é criança e esperneia horrores, alguém vem sempre te socorrer. Agora se você for adulto e reclamar disso, você é carente, depressivo ou, até mesmo, insano. Será verdade? Acho que uma das coisas mais complicadas é se sentir sozinho. Mas assim, REALMENTE sozinho. É muito difícil quando você não tem ninguém pra te segurar. Ou, pior ainda, quando você ACHAVA que tinha alguém pra te segurar. É uma major desilusão quando você faz tudo por uma pessoa e, quando está esperando algo em retorno, não recebe nem a metade. Mas será que é certo esperar? De quem seria realmente o erro?

Ser amigo... receber, esperar, dar... quando é a hora certa? Numa amizade, essas coisas são um pouco incalculáveis. Na verdade, um amigo nunca deve calcular essas coisas. Acho que eles sempre deveriam estar lá. Mas como eu disse... nem sempre é assim. Now it gets tricky... mas se você não puder se apoiar nos seus amigos... em quem então? Acho que na verdade, acima de tudo, você tem que aprender a ser amigo de você mesmo... porque se você não estiver lá pra você... aí sim é que ninguém mesmo vai querer te segurar.

Trilha sonora: Damien Rice, Suede.

Tuesday, February 08, 2005

Episode two: Gray Memories.

Existe alguma cidade mais estranha do que São Paulo no mundo? Ou mesmo fora dele? Eu não sei. Mas eu sei que eu não conseguiria viver fora dela. As vezes eu me sinto um pouco idiota e, novamente, dentro de um filme, seriado ou whatever... naqueles momentos em que você está dentro de um carro, táxi, ônibus (ou derivados haha) e presta atenção no mundo lá fora. É engraçado como aquilo pode ser uma verdadeira tela exibindo as mais variadas imagens de um filme pra você. Ou como se pode reverter toda essa situação pra si mesmo, sendo que você é o protagonista, está sozinho na cidade, olhando outras vidas, mas aquilo é sobre você e SEU drama existencial; e não um documentário sobre São Paulo ou a introdução de um filme estilo Woody Allen.

Eu acho que São Paulo é a cidade das pessoas mais solitárias. Bom, não que não existam outras do mesmo jeito... mas... São Paulo é a cidade dos erros e desencontros. A quantidade de pessoas solteiras em São Paulo é muito assustadora. Não bastando, que preferem ser assim mesmo. É a cidade dos no-talkers. Ninguém conversa com ninguém nas ruas. It’s so lonely. São Paulo é toda cinza. O humor das pessoas é cinza, o rosto das pessoas é cinza, os pensamentos das pessoas... são também? Não sei. Acho que nem sempre; na verdade, acho que grande parte das pessoas estão mais num estado de conformismo, já que sabem que mesmo que tentem começar uma conversa com alguém ou somente serem simpáticos, vão ter uma resposta negativa transmitida por uma cara franzida típica de um estranhamento. It’s hopeless.

Mas ao mesmo tempo, de uma forma um tanto peculiar, eu acabo achando isso tudo lindo. Uma das minhas visões preferidas é mesmo de uma pessoa andando pelas ruas sujas e barulhentas, embaixo de um céu cinzento, perdida entre milhares de rostos diferentes, vozes gritantes ao celular, com cabelo amanhecido esvoaçante, um antigo casaco preto, um par de all stars vermelhos furados, com um sorriso torto estampado no rosto ao olhar para a uma moeda que ficou presa no concreto da calçada quando ela foi remoldada.

Trilha sonora: About a boy soundtrack.


All star and coins. Draft. Gray Memories. Posted by Hello

Episode one: It’s a brand new day.

Emocionante. A velha folha em branco de novo... Adoro isso... “no sign of life” diz a música. E o meu trabalho é reverter isso... Exciting.

Nem sei se ainda tenho jeito pra isso. Mas não quero mais que meu daily journal seja realmente um daily journal. Ou, pelo menos, tentar com que isso não aconteça com freqüência. A graça dos dias está realmente nas entrelinhas... e aqui deverá estar nas linhas.

Como a minha vida é desenhada/escrita conforme manda a sétima arte, esse blog será dividido em episódios... porque, afinal de contas, isso é totalmente a minha cara. E dizer que a minha vida, pra mim mesma, não é um seriado... seria uma completa mentira.

Dip – a –dip – a – dip –doo. Aos antigos, welcome back. Aos novos, será um prazer. A todos, bon voyage (voyaaaage...)

Trilha sonora: About a boy soundtrack.